Portugal à pesca de uma Gigafábrica de IA
Quatro mil milhões de euros é o investimento inicial necessário para erguer uma Gigafábrica de inteligência artificial (IA) em Sines, isto se a candidatura portuguesa obtiver luz verde para acolher uma das gigafábricas de IA na Europa, parte da estratégia europeia para contrabalançar o peso que os EUA e a China estão a ganhar na IA.
Convencida de que a corrida da IA não está perdida, a Comissão Europeia lançou um ambicioso plano para dotar a Europa de mais capacidade de computação, um dos ingredientes principais do treino e funcionamento dos mais avançados algoritmos. Parte desse pacote, passa pela criação de, pelo menos, cinco Gigafábricas de IA, cofinanciadas por fundos europeus e por consórcios privados. Entre abril e junho, a Comissão auscultou o mercado para aferir o interesse na construção de grandes infraestruturas de IA na região e Portugal foi uma das 76 manifestações de interesse — “muito acima das expectativas” — que chegaram a Bruxelas. Recebidas as manifestações de interesse, está previsto que o concurso seja lançado no quarto trimestre.
O plano português, apresentado pelo Banco Português de Fomento (BPF) — um autêntico business plan detalhado, ao qual o ECO teve acesso, e que terá sido encomendado à McKinsey — prevê a ocupação de uma área total de cerca de 28.000 metros quadrados e a aquisição de 100.000 placas gráficas Nvidia H100, um dos modelos mais avançados da norte-americana, usado no treino de modelos avançados de IA. A infraestrutura teria uma capacidade total de 90 MW e criaria 274 empregos diretos, entre pessoal qualificado e não qualificado. A grande questão é: de onde vem o dinheiro?
Publicado originalmente no ECO